Em 2016, entrará em funcionamento a
terceira usina nuclear brasileira, adicionando 1.405 megawatts de energia firme
no sistema elétrico interligado do país exatamente junto aos maiores centros
consumidores. Este ano, paralelamente às obras civis, começarão a ser montados
os equipamentos de Angra 3. Se já estivesse em operação, a terceira usina
nuclear teria uma tarifa competitiva em relação às demais fontes de energia
térmica, com a vantagem de não exigir longas linhas de transmissão e operar
quase o ano inteiro, com paradas programadas para períodos em que os
reservatórios das hidrelétricas estão enchendo.
O impacto ambiental das usinas
nucleares é muito baixo se comparado a outras fontes de energia, pois ocupam
espaço físico relativamente pequeno, e elas têm todas as suas etapas de
funcionamento rigorosamente controladas, por motivos de segurança radiológica.
Em um raio de vários quilômetros são colhidas amostras do ar, da água, da terra
e até do leite das vacas para se observar qualquer variação de radiação além da
natural.
Angra 3 será a última das usinas
nucleares construídas com base no antigo acordo nuclear assinado com a Alemanha
na década de 70. A tecnologia continua segura e atual, com elevada redundância,
o que a encarece. Há uma evolução tecnológica em curso que possibilitará a
construção de usinas com um pouco menos de capacidade (1.000 megawatts), mas
que exigirão menos investimentos na parte de segurança – pois serão
intrinsecamente seguras.
É na direção dessa nova tecnologia
que os planos para construção de novas usinas nucleares no Brasil devem
apontar. Já existem estudos avançados para escolha de sítios adequados à
instalação de um conjunto de quatro usinas no Nordeste.
O acidente ocorrido em Fukushima em
decorrência do maremoto no Japão fez com que o mundo desse uma meia trava nos
programas nucleares. Mas, analisado as causas do acidente, todas as usinas
semelhantes em funcionamento adotaram procedimentos que evitarão a repetição do
problema.
Assim, a construção de novas usinas
no Brasil deverá voltar à pauta, face às necessidades de expansão futura do
parque gerador de energia elétrica no país. Para permitir uma aceleração nesse
tipo de investimento, a entrada do setor privado em parceria com o público
seria muito bem-vinda. Atualmente, a Constituição estabelece monopólio da União
na atividade nuclear, porém não existem mais razões de ordem técnica,
financeira ou gerencial para que essa limitação seja mantida.
Uma emenda constitucional, com amplo
apoio do Congresso, teria de ser aprovada para se remover tal restrição. É hora
de se abrir a discussão. Há uma crise energética à espreita.